Fim ou recomeço?

Quando muitos pensam que chegaram ao fim, ao buscarem ao Senhor, podem descobrir que é apenas um novo começo ou recomeço.

Salmos 126:1-6 – “Quando o SENHOR restaurou a sorte de Sião, ficamos como quem sonha. Então, a nossa boca se encheu de riso, e a nossa língua, de júbilo; então, entre as nações se dizia: Grandes coisas o SENHOR tem feito por eles. Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres. Restaura, SENHOR, a nossa sorte, como as torrentes no Neguebe. Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.”

Este Salmo provavelmente foi escrito após o cativeiro na Babilônia, registrando a saída do povo de Israel de lá. O que nos chama a atenção é que acontece uma mudança de ênfase entre os versos 3 e 4. O salmista estava louvando e agradecendo ao Senhor e, de repente, começa uma oração clamando a Deus pela restauração da sorte do povo. A explicação corrente é que, em um primeiro momento, quando o povo sai do cativeiro, eles o fazem com muita alegria, júbilo e louvor devido à grande libertação operada pelo Senhor. Entretanto, quando chegam a Jerusalém e veem que tudo estava em grande estado de desolação e destruição, toda a alegria se torna em grande angústia, tristeza e clamor diante de Deus por uma restauração.

Interessante é que o Neguebe é um deserto, mas ele fala em serem restaurados como as “torrentes do Neguebe”. Mas é que, eventualmente, um fenômeno ocorre neste deserto fazendo-o florescer literalmente e o salmista estava se referindo a este milagre. Ou seja, se Deus podia mudar um deserto, um caos, então Ele poderia fazer qualquer coisa. Isso também acontece conosco, quando criamos fé e esperança ao lermos a Palavra ou quando ouvimos a verdade pregada ou testemunhos de pessoas que estavam totalmente destruídas e foram restauradas pelo Senhor.

O povo estava orando e crendo num grande milagre do Senhor, mas parece que seu pedido exigia deles uma contrapartida, ou seja, o milagre aconteceria mas eles teriam de trabalhar para isso, teriam de semear. Às vezes olhamos apenas para o lado negativo da semeadura, mas existe também o lado positivo: todo o bem que semearmos também colheremos. O Senhor lhes prometeu que se trabalhassem, se semeassem, Ele lhes faria colher com abundância, faria chover no seu “deserto”.

Quando situações de aparente estagnação ou queda nos sobrevêm, podemos encarar de duas formas: como um fim ou como um recomeço. Estou convencido de que a forma como enxergamos os problemas é afetada principalmente pelas palavras que bebemos. Estamos vivendo em tempos de globalização, onde as pessoas têm um acesso quase inesgotável de informações sobre qualquer coisa e de qualquer fonte. Isso é bom por um lado, mas ruim pelo outro, pois há muitas informações de péssima qualidade e conteúdo. Se a Palavra não chegar a nós, o milagre não nos alcança. Precisamos mergulhar na Palavra de Deus.

Jeremias 2:13 – “Porque dois males cometeu o meu povo: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas.”

A igreja tem bebido muita água de cisternas rotas, ou seja, se saciando de muitas coisas que não são verdadeiras. Está trocando a verdade da Palavra de Deus por coisas que apenas satisfazem o ego, a alma, que apenas fortalecem a vontade própria e não a vontade de Deus. As literaturas de autoajuda se proliferam, mesmo da parte de autores cristãos. Tudo isto é trocar a verdade de Deus pela mentira. Toda a Escritura é divinamente inspirada. Quando bebemos na Palavra de Deus, nossas forças se renovam e a visão do fim pode mudar. Quando aplicamos a força humana, além do cansaço, não temos fé para seguir adiante, pois a fé vem pelo ouvir a Palavra.

Nosso Deus é um Deus de recomeços! Foi assim em toda a história bíblica. A história do povo de Israel é uma história de constantes fins e recomeços. A maior delas foi a de Jesus Cristo que, após uma aparente derrota na cruz, uma aparente morte de toda esperança para aqueles que nEle criam, ressuscitou trazendo um novo começo, uma nova história para todo o mundo. O relato dos discípulos a caminho de Emaús, em Lucas 24, retrata bem o estado do coração deles em relação à morte de Jesus. Estavam desamparados, angustiados, pois achavam que toda a sua esperança havia terminado.

O Senhor sempre abre portas para novos começos, e nada em nossas vidas precisa ser o fim se também estivermos dispostos a recomeçar. Entretanto, todo recomeço exige trabalho, dedicação, esforço. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão”. Esta é a palavra e a promessa do Senhor para nós: Todo o bem que semearmos com lágrimas, colheremos com muita alegria! “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão.” Devemos semear algo que nos custa, que seja segundo a vontade de Deus e isso envolve, muitas vezes, dores e sofrimento. A carne sempre irá se opor ao Espírito dentro de nós. Se quisermos recomeçar qualquer coisa com Deus precisamos aprender a mortificar a carne que já foi crucificada com Cristo Jesus. A semeadura é com lágrimas porque nos custa, nos dói.

Na luta contra entre a carne e o Espírito somos nós que decidimos quem irá vencer. É quem alimentamos que se fortalece. Se quiser alimentar a carne diga “sim” a você mesmo em todos os momentos e situações e, assim, a fortalecerá cada vez mais. A carne não presta porque o veneno que nela circula é o da serpente, de lúcifer, aquele quis ser igual a Deus. A carne conhece os erros dos outros mas não reconhece os seus próprios, não quer ver as suas próprias falhas.

Costumamos empunhar a espada do Espírito contra o diabo, mas essa deve ser a mesma espada que precisa ser empunhada contra a carne. A mesma violência, força e vigor que empregamos na luta contra o diabo devem ser usados também contra a carne. Aprender a dizer “não”, a sofrer, a lutar, a chorar, a semear em lágrimas – tudo para poder agradar ao Senhor. A carne não pode ser tratada como amiga, pois ela é a nossa maior inimiga! Considere também que tudo que há no mundo, todas as suas filosofias, seus rudimentos, são contra Deus e a favor da carne, portanto, beba da “Fonte de Água Viva” e não do mundo.

O que estamos vivendo hoje pode ser o final de tudo como pode ser, também, um recomeço maravilhoso com Deus. A escolha é nossa! “Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes.” Essa é a promessa de Deus para mim e para você hoje!

No amor do Senhor Jesus,
Sérgio Franco