DESCANSO e abundÂncia

“Logo, ainda há um descanso definitivo à espera do povo de Deus. Porque todos que entraram no descanso de Deus descansam de seu trabalho, como Deus o fez após a criação do mundo. Portanto, esforcemo-nos para entrar nesse descanso. Mas, se desobedecermos, como no exemplo citado, cairemos” (Hebreus 4:9-11 NVT).

Existe um lugar espiritual que o autor da carta aos Hebreus chama de “descanso”, um lugar também descrito no antigo testamento para onde Deus queria levar seu Povo. Muitos acreditam ser um pedaço de terra. Entretanto, ao fazer uma investigação mais profunda descobrimos que se trata de uma condição de repouso e confiança absoluta nEle. Um lugar de paz em que se prova o melhor da terra. Era essa a condição de relacionamento que Deus esperava ter com o seu povo. Esse lugar que se encontra na dimensão espiritual é a posição favorável, o ponto de “equilíbrio”, onde a ansiedade da vida, a amargura e o cansaço não encontram espaço. Deus continua conduzindo seus filhos a encontrá-lo nesse lugar, à sombra de suas asas.

“Ele o cobrirá com as suas penas, e o abrigará sob as suas asas; a sua fidelidade é armadura e proteção” (Salmos 91:4).

O livro de Levítico, um livro pulado por muita gente que não suporta ler os inúmeros detalhes descritos ali, relata diversas instruções de Deus a Moisés acerca do estilo de vida em forma de mandamentos. Muitas vezes não conseguimos enxergar que os mandamentos são nada mais do que instruções que moldam uma vida de sabedoria. No capítulo 25 desse livro, Deus instruiu acerca do ano do descanso. Ensina sobre o sábado:

“Quando Moisés estava no monte Sinai, o SENHOR lhe disse: “Dê as seguintes instruções ao povo de Israel. Quando entrarem na terra que eu lhes dou, a terra deverá observar um sábado para o SENHOR a cada sete anos. Durante seis anos, vocês semearão os campos, podarão os vinhedos e farão a colheita, mas no sétimo ano a terra terá um ano sabático de descanso absoluto. É o sábado do SENHOR. Durante esse ano, não semeiem os campos nem façam a poda dos vinhedos. Não ceifem o que crescer espontaneamente nem colham as uvas dos vinhedos não podados. A terra terá um ano de descanso absoluto. Comam o que a terra produzir espontaneamente durante seu descanso. Isso se aplica a vocês, a seus filhos, a seus servos e servas, e também aos trabalhadores contratados e aos residentes temporários que vivem em seu meio” (Levítico 25.1-6).

Observe que essa instrução representa um desafio: Uma atitude de completa confiança em Deus. Pois de imediato nosso coração faz contas: Será que vai ter o suficiente? Será que a terra produzirá por conta própria de verdade? Nosso controle é posto em xeque. Essa ordem também traz consigo uma linda lição: “Esperem apenas aquilo que eu produzir, diz o Senhor”. Quantas coisas produzimos com nossa capacidade e braço forte? Quantos desdobramentos e realizações são fruto de nossa incapacidade de esperar que Deus aja. Nos chocamos com o pensamento que insiste em nos assediar de que se não mexermos nossos “pauzinhos” nada vai acontecer.

O BOM SENSO E A BONDADE

O texto prossegue e o Senhor ensina estatutos maravilhosos que confrontam o egoísmo:

“Mostrem seu temor a Deus não tirando vantagem um do outro. Eu sou o SENHOR, seu Deus” (Levítico 25:17).

Essa instrução faz todo sentindo. Um coração que não experimenta o descanso de Deus pode até mesmo explorar, competir e tirar vantagem de quem se coloca em seu caminho. Facilmente usamos as pessoas para alcançar nossos objetivos e depois as descartamos.

O FRUTO DO DESCANSO

Temos a mania de subestimar os frutos do descanso. Pensamos que pelo fato não de empregarmos a força que consideramos necessária no empreendimento, colheremos frutos mirrados e subnutridos. Confiamos deliberadamente na meritocracia e por desconhecer a generosidade do Deus a quem pertencemos, nos surpreendemos:

“Se quiserem viver seguros na terra, sigam os meus decretos e obedeçam aos meus estatutos. Então a terra produzirá colheitas fartas, vocês comerão até se saciarem e viverão em segurança. Talvez vocês perguntem: ‘O que comeremos no sétimo ano, uma vez que não temos permissão de semear nem de colher nesse ano?’. Podem ter certeza de que no sexto ano eu lhes enviarei a minha bênção, de modo que a terra produzirá o suficiente para três anos. No oitavo ano, quando semearem seus campos, ainda estarão comendo da colheita farta do sexto ano. De fato, ainda estarão comendo dessa colheita quando fizerem a nova colheita no nono ano” (Levítico 25.18-22).

A fartura, fidelidade e a precisão são atributos inerentes ao nosso Deus. Desconfiamos da quantidade, desconfiamos da falta, e insistentemente questionamos o tempo de Deus porque ainda não mudamos de jugo. Ainda não escolhemos aceitar o jugo e o fardo de Jesus. Continuamos a caminhar com excesso de peso.

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 28:29-30).

Jugo é direção e fardo, é peso. Só encontraremos o verdadeiro descanso para nossas almas se nossa direção for alterada e se o peso da viagem for suavizado por Jesus. Todos os dias temos a escolha de desfrutar desse lugar, contemplando cada detalhe, louvando a Deus, com a gratidão renovada por aquilo que passamos a enxergar.

Por:

Ideraldo de Assis