1004766_1374849916067261_1237930793_nNascido em Bom Jesus de Itabapoana, no município da Antiga Usina Santa Isabel, RJ, Alcemy Araújo Silva é um rapaz de 43 anos, muito falante e sorridente.

Quando Dona Maria do Carmo, sua mãe, estava grávida, muitos de seus conhecidos apostavam que nasceria uma menina, pelo formato de sua barriga e por que o neném mexia pouco. Mas já garotinho, Alcemy ainda despertava nas pessoas a estranheza de ter muitas características femininas, seu jeito de falar, de andar, seus gestos, enfim, algumas vezes chegou a ser confundido com uma menina.

Aos 11 anos, o padre da paróquia que ele freqüentava, o mandou voltar pra casa e colocar uma saia, porque ficava melhor pra uma menina usar do que a calça comprida que ele estava. Nesse dia ficou mais confuso ainda.

Até essa idade não achava que era homossexual, pensava que seu corpo ia se desenvolver como o de uma menina, crescer peito… Até que, ainda com doze anos, teve acesso a um livro que falava sobre homossexualismo; quis fugir de casa, não conseguiu. Um médico da pequena cidade o levou de volta.

Seu pai morreu pouco tempo depois, mas não foi esse o motivo que o levou a tentar suicídio pela primeira vez: estava profundamente amargurado.

“Passei toda minha infância fazendo coisas, escondido, tendo medo. Tive uma infância atormentada”, conta Alcemy.

Na verdade, ainda com sete anos, começou a ter experiências sexuais com um rapaz. Passou a não querer mais ir aos cultos com a mãe. Com quinze anos, era pressionado a ceder aos desejos dos rapazes que o procuravam porque ameaçavam contar pra sua mãe e irmãos, o que ele fazia escondido.

A pressão era tão grande que, com dezesseis anos, ele arranjou uma namorada. Não demorou muito tempo e ele confessou pra ela sua condição e a verdade de que estava usando esse relacionamento como escudo.

Tentou suicídio pela segunda vez. Estava morando com os padrinhos em Vila Velha; desceu correndo a grande escadaria de uma catedral em direção à rua. O carro que vinha naquela direção freou na hora: era um vizinho dele que o ajudou a sair daquele lugar. Um livramento de Deus.

Quando Alcemy foi tirar sua carteira de identidade, nova surpresa o aguardava: ele não tinha digital! Por causa disso, todo ano ele precisava fazer nova carteira.

A crise de depressão só aumentava. “Eu não estava mais querendo viver. Não sabia em que chão pisar!” Chegou a freqüentar uma igreja evangélica lá em Bom Jesus,mas só para manter uma imagem porque, na verdade, não tinha forças para lutar contra o desejo de ser mulher, não tinha fé.

 

Ele queria ser feliz; tentava, mas não conseguia. Até que, em Cabo Frio, conheceu um psicólogo, que lhe disse que ele tinha 100% de chance de ser feliz se assumisse sua homossexualidade e passasse a viver como uma mulher.

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Desde então passou a se vestir e se portar como uma mulher. Antes, chamou sua mãe e suas irmãs, na pequena cidadezinha de Bom Jesus. Contou a elas o que tinha decidido fazer de sua vida. Sua mãe não esperava por esse acontecimento. Ficou muito triste, mas não foi rude, nem lhe rejeitou em nenhum momento. Redobrou suas orações por ele.

Era carnaval de 1984. Vestiu uma fantasia de mulher… e não tirou mais! Até o memorável carnaval de 2007!

Mas, falando um pouco sobre esse período, foram vinte e três anos em que viveu sendo chamado de Cemira.

Por quinze anos, manteve um relacionamento com um rapaz, doze anos mais novo que ele, com quem morou cinco anos aqui em Cabo Frio. Começou a se envolver com feitiçaria e chegou a casar com seu parceiro num Centro.

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Mas a falta de paz continuava e seu conflito interior só aumentava a cada dia. “Eu dizia: isso não é vida pra mim”, relembra Alcemy. Passou a buscar a Deus: ouvia pregação em rádio, ia assistir aos cultos e aproveitava para pedir oração pela mãe de seu parceiro que estava muito doente.

Resolveu por conta própria jogar fora tudo que era de feitiçaria: livros, imagens…

Um dia teve um sonho: um moço perguntava a ele o seu nome. Mas esse moço sabia tudo sobre ele: quem ele era, o que tinha, e até mesmo seu nome todo. Mas ele queria ouvir de sua própria boca o nome que seus pais lhe deram. Ele disse. O rapaz disse que estava satisfeito e que Jesus lhe amava, e desapareceu. A partir daí, Alcemy passou a usar seu próprio nome nos pedidos de oração que deixava nos cultos: Alcemy Araújo. Deus estava lhe dando uma nova identidade. Começou a declarar: “um dia eu ainda vou ser crente”.

E um dia, decidiu que seria crente de verdade. Procurou ajuda numa igreja, abriu seu coração, disse que queria viver uma nova vida. Contou que era um travesti. Pra sua decepção, ouviu que ele precisava fazer uma série de exames por ser de um grupo de risco, precisava de psicólogo, analista e que não estavam preparados para tratar disso. “Vai no Projeto IDE que eles vão te ajudar!”, foi o que Alcemy ouviu. Ficou com muita raiva e, por um tempo desistiu dessa idéia.

Nessa mesma noite, ele decidiu viver todas as coisas que o mundo poderia oferecer pra ele.

Mas, graças a Deus, foi só por um tempo! Teve um sonho e sabia que era Deus falando com ele: viu uma grama verdinha que, por cima, crescia um mato muito seco. Era Deus mostrando como estava sua vida.

Ficou impressionado: leu o Salmo 37 e o 91; orou o “Pai Nosso”, oração que a mãe lhe ensinou. Pensou em procurar um amigo que já o tinha convidado para ir ao Projeto IDE quando alguém bateu à sua porta: era esse amigo, trazendo um convite para uma programação especial no Projeto.

 Era domingo, faltava um mês para o carnaval. Mas “esse ano não seria como aquele que passou!”. Parecia que tudo naquele culto, todas as mensagens eram pra ele: as músicas, a Palavra…

Foi à frente na hora do apelo. E foi um momento muito especial! D. Hely, irmã de oração, foi quem orou por ele. Com seus 70 anos e muitos deles dedicados ao Senhor, ela clamava a Deus pedindo: “Senhor, ajuda tua filha!”, pois aparentemente se tratava de uma mulata muito bem vestida. Mas Alcemy imediatamente orava em seu pensamento: “Senhor, sou eu: Alcemy Araújo!”. E D. Hely, cheia de unção, pedia a Deus: “Que ela seja abençoada nessa noite”. E ele emendava com fervor: “Ela não, Senhor. Sou eu, Alcemy Araújo”.

Assim que terminou a oração, D. Hely foi anotar os dados dele. Quando ele disse que era do sexo masculino, Alcemy ouviu o barulhinho da caneta caindo sobre a mesa. E pensou: “Vai começar tudo de novo. Vão me mandar embora, aqui também não vão cuidar de mim.” Seu coração ficou apertado, mas por pouco tempo. D. Hely sorriu para ele, segurou suas mãos e logo ele estava sendo encaminhado para conversar com alguns irmãos.

“Senti com se estivesse num lugar bem fundo sem poder sair e alguém me estendesse a mão”, lembra Alcemy.

Desde então, começou a se sentir como criança pequena que recebe os cuidados do pai; assim ele, nessa nova vida, recebeu esses cuidados de Oséas e Eugênia, de uma forma amável e especial.

Através da verdadeira amizade, da ajuda que recebeu de sua nova família em Cristo, conheceu o amor de Deus que consola, anima, fortalece e transforma a tristeza em alegria, o choro em riso, a angústia em paz. Jesus era agora seu Senhor e Salvador.

No Retiro de carnaval 2007, ele teve mais uma experiência com esse Deus, que já se relacionava com ele como um Pai. Já se passara um mês desde sua conversão. Alcemy ainda estava travestido de mulher e isso estava lhe incomodando muito. Via todos os homens bem arrumados, e ele queria usar roupas masculinas, mas não via forças pra mudar.

Até que, nesse dia, orou a Deus com todas suas forças: “Me ajuda, Senhor a me livrar dessa carcaça. Quero ser esse vaso novo que estão falando aí.” E o que aconteceu depois, mudou ainda mais a sua vida. “Senti uma friagem forte. Senti vontade de dar um grito, e gritei: Pai, eis-me aqui, Senhor, quero ser seu templo!” Na hora do apelo, se jogou de uma forma que lhe lembrou um sonho que teve em que se jogava de um lugar alto pra voar. Em seu sonho, um muro crescia em paralelo e ele precisava se esforçar e lutar pra que, finalmente visse o muro a seus pés. Espiritualmente foi o que aconteceu naquele momento com ele.

Outros milagres ainda aconteceram, além do fato de cortar o cabelo, as unhas, tirar o esmalte delas e a maquiagem do rosto, usar calças de homens e camisas, ainda que meio sem jeito…

Esteve na casa de Vina e Valfredo, seus irmãos em Cristo, onde  a igreja orou pra que Deus lhe desse a restauração completa de sua masculinidade. Chegando em casa, ao tomar banho, ele sentiu uma dor muito grande em seus órgão genital. Seus testículos que eram atrofiados por causa das calcinhas apertadas que usava, desceram e apareceram como de um homem normal que agora ele era! Deus é poderoso, bom e fiel!

Alcemy seguiu investindo em sua aparência: passou a praticar exercícios físicos para alterar a forma física que tinha. Tomou hormônios masculinos; viu nascerem pelos em seu corpo.

E, alguns meses depois, a pequena Bom Jesus de Itabapoana parou pra receber Alcemy. Muitos não o reconheceram, como seu sobrinho de 20 anos que, até então, conhecia a tia Cemira. Ele, junto com seus amigos e pais espirituais Oseas e Eugênia, viveram momentos inesquecíveis, de muita alegria.

Enfim, muitos foram e são os milagres que Deus fez e certamente fará em sua vida.

O carnaval de 2008 marcou pra Alcemy, um ano de uma transformação maravilhosa em seu físico, seu caráter e em seu espírito porque hoje ele é um novo homem, uma nova criatura, como diz em (I Co 5:17) e tem como alvo se parecer a cada dia mais com Jesus (Rm 8:29).

Hoje, Alcemy Araújo é um testemunho vivo do poder de Deus e de Seu infinito amor por cada um de nós!! 

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